Na execução A-book, a corretora repassa as ordens dos clientes a um provedor de liquidez e ganha com markup ou comissão; na execução B-book, ela fica com o outro lado das operações dos clientes e administra o risco por conta própria. A execução híbrida combina as duas com regras por grupo de clientes, tamanho da ordem, símbolo e exposição, configuradas no MT5 por meio de um gateway, de uma bridge ou do Ultency.
O que são execução A-book, B-book, C-book e híbrida?
São as formas pelas quais uma corretora pode lidar com o risco de mercado da operação de um cliente. Os termos são jargão do setor, não categorias jurídicas, e a maioria das corretoras usa mais de um ao mesmo tempo.
| Modelo | O que acontece com a operação do cliente | Como a corretora ganha | Principal risco |
|---|---|---|---|
| A-book | Repassada a um provedor de liquidez, normalmente no mesmo instante | Markup e/ou comissão | Custos do provedor, rejeições e slippage; margens apertadas com pouco volume |
| B-book | Mantida na carteira própria da corretora | Spread mais as perdas líquidas dos clientes | Risco de mercado vindo de clientes lucrativos; conflito de interesses |
| C-book | Parcialmente coberta, sobrecoberta ou coberta no sentido inverso | Depende da estratégia | Complexidade e risco direcional |
| Híbrido | A-book ou B-book escolhido por regras | Combinação dos anteriores | Regras que não refletem a realidade ou que não são divulgadas |
Como cada modelo gera receita, e onde está o risco?
O A-book rende um valor pequeno e estável por lote; o B-book rende, em média, mais por lote, mas com variação muito maior. Essa diferença orienta quase todas as decisões de roteamento.
O motivo é estrutural. A margem de uma corretora A-book é a diferença entre o que ela cobra dos clientes, em markup ou comissão, e o que o provedor cobra dela, então ela precisa de volume para cobrir os custos fixos. A receita de uma corretora B-book depende do resultado dos clientes ao longo do tempo, então em um mês bom ela pode ganhar muito mais por lote do que uma corretora A-book e, em um mês ruim, pode perder dinheiro. É por isso que uma corretora 100% A-book precisa de volume e uma 100% B-book precisa de uma área de risco forte.
O risco fica em lugares diferentes. Uma corretora A-book está exposta aos provedores: ordens rejeitadas, slippage, chamadas de margem no provedor e quedas de sistema. Uma corretora B-book está exposta aos clientes: uma sequência de operações lucrativas, um cliente grande do lado certo de um movimento forte ou um grupo de traders explorando preços defasados.
| Fator | Efeito no A-book | Efeito no B-book |
|---|---|---|
| Comissão e mínimos do provedor | Reduz diretamente a margem de cada lote coberto | Pesa apenas no fluxo que você de fato cobre |
| Markup ou comissão cobrados do cliente | Principal fonte de receita | Soma-se ao spread ganho no fluxo internalizado |
| Resultado das operações dos clientes | Pouco efeito direto | O maior fator isolado de receita e de perdas |
| Volume | Necessário para cobrir os custos fixos | Dilui o risco em mais operações |
| Capital | Margem depositada no provedor | Precisa absorver os períodos de perda da carteira |
| Equipe e ferramentas de risco | Monitoramento de execuções e rejeições | Mesa de operações (dealing desk), monitoramento de exposição, perfil dos clientes |
Como modelar a receita de cada rota antes do lançamento?
Parta das suas próprias premissas, não dos números por lote de outra pessoa. Os valores por lote publicados variam muito de uma fonte para outra, e o que importa são as condições da proposta do seu provedor e o comportamento dos clientes que você quer atender. Um modelo simples precisa de quatro dados: o volume mensal esperado por tipo de conta, o markup ou a comissão que você vai cobrar, a comissão e os mínimos do provedor e uma estimativa conservadora de quanto o resultado dos clientes vai variar no fluxo que você mantém.
Rode o modelo para um mês bom, um normal e um ruim, e confira se o mês ruim não ultrapassa o seu capital nem a margem do provedor. Depois decida qual fluxo você pode se dar ao luxo de manter. Se quiser ajuda para montar o modelo, mande uma mensagem pelo WhatsApp e enviamos números atuais de mercado para provedores e configurações como a sua.
Como o roteamento é configurado no MetaTrader 5?
No MT5, o roteamento é configurado em camadas. Os grupos de clientes definem quais condições de negociação e qual rota de execução valem para uma conta. Os símbolos definem o que pode ser negociado e como é precificado. O motor de roteamento — um gateway nativo com regras nas ferramentas de administração do MT5, uma bridge de terceiros ou o Ultency — decide, ordem por ordem, se a operação é repassada.
A corretora híbrida mais simples usa só os grupos: um grupo “ECN”, cujas ordens vão todas para o provedor, e um grupo “standard”, mantido na carteira. Configurações mais avançadas usam regras por tamanho da ordem, símbolo, lucratividade do cliente e exposição líquida. A MetaQuotes informa que o Ultency aceita regras automáticas de cobertura por volume da posição, instrumento, moeda, giro e lucro, e que as regras podem valer para clientes individuais, grupos ou a carteira inteira.
O motor escolhido determina o quanto essas regras podem ser detalhadas. Nosso guia de bridge de liquidez para MT5 compara os três motores.
“O sistema aceita regras automáticas de gestão de risco, incluindo cobertura com base no volume da posição, instrumento, moeda, giro, lucro e mais. As regras podem ser definidas para clientes individuais, grupos de clientes ou a carteira inteira da corretora.”
Como são as regras típicas de roteamento híbrido?
As regras híbridas costumam combinar cinco dados: tipo de conta, tamanho da ordem, instrumento, histórico do cliente e exposição atual. O guia de 2026 da YourFintech traz limites de exemplo de um fornecedor — operações pequenas, abaixo de 1 lote, internalizadas por padrão, operações acima de 10 lotes externalizadas e clientes com histórico consistente de lucro transferidos para o A-book. Trate números como esses como ponto de partida para a sua própria análise, não como padrão.
- Tipo de conta — contas raw spread ou no estilo ECN roteadas aos provedores; contas standard elegíveis para internalização.
- Tamanho da ordem — tudo acima de um volume definido é coberto para evitar risco de concentração.
- Instrumento — pares exóticos e mercados pouco líquidos são cobertos quando a corretora não consegue administrar o risco a baixo custo.
- Histórico do cliente — contas que lucram de forma consistente, operam notícias ou mostram padrões de arbitragem de latência vão para o A-book.
- Exposição — quando a exposição líquida em um símbolo passa de um limite, as novas ordens naquela direção são cobertas.
- Eventos — regras temporárias em torno de grandes divulgações, quando os spreads abrem e o risco muda rápido.
Exemplo prático: um conjunto de regras, cinco situações
Suponha que uma corretora tenha uma conta standard e uma conta raw spread e tenha definido estas regras: raw spread sempre em A-book; ordens standard acima de 5 lotes em A-book; exóticos em A-book; clientes com três meses de lucro consistente transferidos para um grupo A-book; cobertura de 80% da exposição líquida em qualquer par acima de um limite definido. Os números são hipotéticos.
- Cliente raw spread compra 0,5 lote de EUR/USDRoteada ao provedor pela regra de tipo de conta. A corretora ganha a comissão.
- Cliente standard compra 0,3 lote de EUR/USDMantida na carteira. A corretora ganha o spread e assume o risco.
- Cliente standard vende 8 lotes de GBP/USDAcima do limite de tamanho, então é roteada ao provedor.
- Cliente standard compra 1 lote de USD/TRYExótico, então é roteada ao provedor apesar do tamanho pequeno.
- A posição líquida comprada em EUR/USD passa do limiteO motor cobre 80% da posição líquida com o provedor; as novas operações continuam seguindo as regras normais.
Como funcionam os limites de exposição e os gatilhos de cobertura?
Um limite de exposição é a maior posição líquida que a corretora aceita manter em um símbolo, ou em uma moeda como um todo, antes de cobrir. Um gatilho de cobertura é a regra que entra em ação quando o limite é atingido: cobrir o excedente, cobrir um percentual fixo ou rotear ao provedor todas as novas ordens naquela direção.
Os limites devem refletir o capital da corretora e a volatilidade e a liquidez do instrumento. A YourFintech dá o exemplo de uma corretora que tolera muito mais exposição líquida em EUR/USD do que em um cruzamento exótico. Revise os limites quando o seu capital mudar, antes de eventos conhecidos e depois de qualquer período em que eles tenham sido atingidos com frequência. A página do Ultency da MetaQuotes também descreve contas de cobertura que acompanham recursos, lucros e perdas e o total de posições, que são os dados de que você precisa para definir limites com bom senso.
O que os reguladores do Reino Unido e da UE esperam de corretoras A-book e B-book?
Os reguladores não proíbem nenhum dos modelos, mas esperam melhor execução (best execution), gestão dos conflitos de interesses e uma descrição honesta de como as ordens são tratadas. No Reino Unido, a regra de melhor execução da FCA (Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido) no COBS 11.2A exige que as empresas tomem todas as medidas suficientes para obter o melhor resultado possível para os clientes, levando em conta preço, custos, velocidade, probabilidade de execução e liquidação, tamanho e natureza da ordem. Uma corretora que internaliza o fluxo dos clientes continua sendo quem executa, e continua tendo esse dever.
O conflito de interesses é o segundo tema, porque uma corretora B-book lucra quando os clientes perdem. A ESMA (Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados) publicou em abril de 2016 um Q&A sobre CFDs e outros produtos especulativos que trata dos conflitos decorrentes de características comuns ao modelo de negócio das empresas de CFD e, em 2 de dezembro de 2025, anunciou uma Common Supervisory Action (ação de supervisão conjunta) com as autoridades nacionais sobre as regras de conflitos de interesses da MiFID II na distribuição ao varejo, a ser realizada ao longo de 2026.
As regras para CFDs de varejo se somam a isso. As medidas de intervenção em produtos da ESMA de 2018 e as regras permanentes da FCA (PS19/18, aplicáveis a CFDs desde 1º de agosto de 2019) limitam a alavancagem de varejo a entre 30:1 e 2:1, conforme o ativo subjacente, exigem encerramento de posições quando a margem cai a 50% e proteção contra saldo negativo, proíbem incentivos à negociação e exigem um aviso de risco padronizado. As regras de outras jurisdições são diferentes; veja jurisdições de licença de forex para um panorama.
“Ao executar ordens, a empresa deve tomar todas as medidas suficientes para obter os melhores resultados possíveis para os seus clientes, levando em conta os fatores de execução.”
O que a sua política de execução de ordens deve dizer sobre o roteamento?
Ela deve descrever o que os seus sistemas realmente fazem, em uma linguagem que o cliente consiga acompanhar. Isso significa informar se você atua como contraparte nas operações dos clientes, se parte do fluxo é repassada a terceiros, quais fatores decidem para onde vai uma ordem e como você monitora a qualidade da execução.
A falha mais comum que vemos é uma política escrita no lançamento que já não corresponde às regras configuradas na bridge ou no Ultency. Toda vez que as regras de roteamento mudarem, confira se a política ainda as descreve e guarde um registro datado das duas. Se um auditor ou regulador comparar uma com a outra, esse registro é a sua prova.
O que monitorar depois que a execução híbrida entra no ar?
Monitore o resultado de cada rota, não só o roteamento em si. Uma visão diária útil inclui:
- Exposição líquida por símbolo e por moeda em relação aos limites.
- Lucro e prejuízo do fluxo B-book por grupo e por símbolo.
- Taxas de execução, slippage e rejeições do fluxo A-book, por provedor.
- Clientes cujo comportamento mudou — aumentos repentinos de tamanho, operações em notícias, tempos de permanência muito curtos.
- Posições e saldo em cada provedor conciliados com o MT5.
- Toda alteração em regras de roteamento, com quem a fez e por quê.
Quem controla o roteamento em um grey label, em um white label ou com licença própria?
Quem é dono do servidor MT5 controla o motor de roteamento. Um grey label de MT5 é uma corretora montada dentro do servidor MetaTrader 5 licenciado de outra empresa: você tem seus próprios grupos de clientes e a sua marca no WebTrader, nos apps, no CRM e na área do cliente, enquanto a licença do servidor MT5 continua com o provedor. Nesse modelo, a forma como os seus grupos são roteados é definida pelo provedor conforme o contrato — e, como isso decide quem assume o risco das operações dos seus clientes, deve estar escrito com clareza.
Em um white label você pode ter mais voz, dependendo do contrato, e com a sua própria licença MT5 as regras são inteiramente suas. Antes de assinar um grey label de MT5, pergunte quem registra o risco das operações dos seus clientes, como lucros e prejuízos são divididos e quais relatórios você vai receber. Se as respostas forem vagas, envie-as para nós pelo WhatsApp e dizemos o que perguntar em seguida.
Como a FXUP ajuda com a execução híbrida?
Configuramos o lado do MT5 — grupos, símbolos, markups e o motor de roteamento que a sua configuração usa — e o conectamos aos seus provedores por meio de um gateway, de uma bridge ou do Ultency. Também montamos os relatórios de que um dealer precisa no CRM para corretoras — o nosso CRM ou um CRM parceiro, o que se encaixar melhor na sua operação — e verificamos se a execução está correta do ponto de vista do cliente no nosso WebTrader com a sua marca. A FXUP não tem vínculo com a MetaQuotes, não é corretora e não assume o outro lado das operações.
Não escrevemos a sua política de execução nem damos aconselhamento jurídico, mas podemos descrever exatamente o que os seus sistemas fazem para que o seu assessor de compliance possa escrevê-la. Para o lado da liquidez, veja integração de provedores de liquidez; para as definições básicas, o verbete A-book e B-book do glossário. Se você está desenhando regras de roteamento agora, mande uma mensagem pelo WhatsApp com os seus tipos de conta e provedores.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre A-book e B-book?
Uma corretora pode usar A-book, B-book e roteamento híbrido ao mesmo tempo?
O modelo híbrido é melhor que o A-book ou o B-book?
O que é C-book?
Que regras decidem quando um cliente passa do B-book para o A-book?
Operar em B-book é legal?
Como o roteamento é configurado no MT5?
Corretoras grey label escolhem o próprio roteamento?
O que a FCA exige sobre melhor execução?
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Fontes
- FCA Handbook — COBS 11.2A Best execution (consultado em outubro de 2026)
- FCA — PS19/18: Restricting contract for difference products sold to retail clients (consultado em outubro de 2026)
- ESMA — ESMA to launch Common Supervisory Action on MiFID II conflicts of interest requirements (publicado em 2 de dezembro de 2025, consultado em outubro de 2026)
- ESMA — ESMA publishes new Q&A on CFDs and other speculative products (publicado em 8 de abril de 2016, consultado em outubro de 2026)
- ESMA — ESMA agrees to prohibit binary options and restrict CFDs to protect retail investors (consultado em outubro de 2026)
- MetaQuotes — Ultency matching engine (consultado em outubro de 2026)
- YourFintech — A-Book vs B-Book vs Hybrid: Guide for Forex Brokers (publicado em 25 de fevereiro de 2026, consultado em outubro de 2026)
A FXUP é uma consultoria e empresa de tecnologia independente e não tem vínculo com a MetaQuotes Ltd. MetaTrader 4 e MetaTrader 5 são marcas registradas da MetaQuotes Ltd. Esta página traz informações gerais e não constitui aconselhamento jurídico, tributário ou de investimento; as exigências regulatórias dependem de cada jurisdição e mudam com o tempo. A FXUP não publica preços: fale conosco para receber os valores atualizados do seu projeto.